Embora nos últimos anos tenha aumentado o número de Instituições de Ensino brasileiras que oferecem cursos de mestrado e doutorado em Computação, ainda há um déficit considerável de formação de pessoal nesta área. A demanda por serviços e “produtos” derivados da Tecnologia da Informação, que necessitam de recursos humanos de alta qualidade, notadamente para o desenvolvimento de software para os mais variados segmentos das atividades humanas, só tem aumentado nas últimas décadas. E a tendência é de um crescimento ainda maior para as próximas.
Mestres e Doutores passam por um período longo de formação como pesquisadores, no caso do mestrando algo em torno de 2 anos, e do doutorando 4 anos. Neste período ocorre uma ampliação considerável no senso crítico dos pós-graduandos em relação ao uso e desenvolvimento da tecnologia, que passam a ter nos procedimentos científicos-metodológicos a base para o desenvolvimento de seus projetos.
A Computação tem se tornado um instrumento de ampla utilização nas outras áreas do conhecimento humano, bem como nas atividades cotidianas das pessoas. É difícil imaginar alguma área de saber que não faça uso da Computação para alavancar o seu próprio desenvolvimento. Este cenário aponta para uma dependência acentuada da sociedade em relação à Tecnologia da Informação. Na medida em que esta dependência aumenta, é sensato imaginar que deveria aumentar também a qualidade dos serviços e produtos oferecidos por profissionais da área. Porém, não é isto que vem acontecendo.
Infelizmente há uma proliferação de pessoas que estão atuando na área de Computação, mas que não têm formação adequada para o tipo de serviço em que pretendem atuar. Entre outras razões para este fenômeno, podemos apontar o baixo nível da qualidade da formação do pessoal que está formando gente para atuar em Computação. Em outras palavras, muitas Instituições de Ensino, que pretendem formar profissionais para atuar no mercado de Computação, ainda contam com um número muito reduzido de professores mestres ou doutores em Computação. Esta é uma realidade que se acentuou nos últimos dez anos, com a política de expansão do ensino superior do Brasil (infelizmente, uma política com critérios de qualidade frouxos). Isto acarretou um efeito “cascata”: professores com formação inadequada , formando alunos com uma visão estreita (e rasa) da área de Computação. Evidentemente, existem centros de excelência de formação de profissionais em Computação no Brasil, mas isto não é a regra.
No Estado de São Paulo existem atualmente seis Instituições de Ensino Superior que oferecem cursos de mestrado ou doutorado em Computação (reconhecidos pela CAPES): UNICAMP, USP (São Carlos), USP (São Paulo), UFSCar, UNESP (São José do Rio Preto) e UNIMEP (Piracicaba). Juntas estas Instituições formam cerca de 120 mestres e 25 doutores por ano. Destes pesquisadores, uma parte é absorvida por faculdades e universidades do território brasileiro, a outra parte é absorvida principalmente pelo mercado de desenvolvimento de software (neste caso, extrapolando as fronteiras brasileiras). Mas a demanda por profissionais de qualidade é muito maior do que as (boas) Instituições de Ensino estão conseguindo formar, tanto no setor educacional quanto no mercado de desenvolvimento de software. Prof. Dr. Luiz Eduardo G. Martins
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