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Em minha coluna de dezembro/08 (“A tecnologia e a invasão de privacidade”), citei a tecnologia RFID e prometi voltar a esse assunto futuramente. Pois bem, vamos lá...
RFID (pronuncia-se soletrando cada letra em inglês) significa Radio Frequency Identification, ou seja, Identificação por Rádio-Frequência. Mas identificação do que? De praticamente tudo...
O RFID está baseado na identificação de produtos através das chamadas etiquetas inteligentes (ou Smart Labels). Essas etiquetas contêm informações cadastrais do produto (lote, número de série, modelo, etc.), bem como informações operacionais importantes (data de validade, restrições de uso, etc.). Tecnicamente falando, as Smart Labels são chips encapsulados em substratos de papel ou plástico, em diversos formatos e tamanhos. Conectadas a esses chips existem antenas que permitem que a etiqueta converse a distância, por rádio-frequência, com equipamentos leitores.
Na prática, quando um produto for fabricado, serão gravadas no chip de uma smart label todas as informações cadastrais e operacionais desse produto. Essa etiqueta (geralmente extremamente fina e pequena) é colada no produto e o acompanha por toda sua cadeia de suprimentos (para os iniciados no assunto, supply chain, ou seja, todas as etapas desde a fabricação do produto até sua chegada no consumidor final). Imaginem só o cenário: - Uma impressora de um determinado fabricante é produzida em uma fábrica terceirizadora de montagens;
- Dentro dessa impressora é colada uma smart label;
- Todo o trânsito nas etapas de fabricação dessa impressora dentro da terceirizadora é monitorado pelo fabricante. Até a circulação da impressora, em pallets carregados por empilhadeiras (equipadas com leitores RFID), é monitorado até que a impressora chegue aos armazéns da terceirizadora (o piso e as baias do armazém também são equipados com etiquetas e leitores RFID);
- Posteriormente, a impressora é transportada por caminhões (obviamente monitorados) até uma distribuidora e novamente fica estocada em seus armazéns (monitorados...);
- A seguir, outros caminhões (adivinhem...) levam nossa impressora até os armazéns de um hipermercado, deixando-a lá por vários dias, sempre monitorada por RFID;
- Certo dia, um repositor do hipermercado pega nossa já cansada impressora e a coloca em uma gôndola (equipada com leitores RFID), a espera de um comprador;
- Um operador do supermercado verifica então, através de um leitor RFID portátil, se o cartucho de tinta da impressora ainda está na validade, sem ter que abrir sua embalagem;
- Finalmente, um feliz consumidor compra nossa amiga impressora, obviamente antes passando pelo caixa do hipermercado, equipado com um leitor RFID que, sem ter que tirar a impressora do carrinho (ou tirar a caixa de leite de cima dela), faz a leitura de seu preço e, automaticamente, dá baixa no estoque.
Incrível, não? E mais incrível ainda é saber que empresas como a HP (a fabricante da impressora do nosso exemplo), a Flextronics (a terceirizadora de montagem), o Pão de Açúcar, o Wall Mart e várias outras empresas já fazem desse cenário acima uma realidade, aqui mesmo no Brasil. Saibam que o Brasil é um dos países com as mais interessantes e avançadas experiências em RFID no mundo, ao lado dos Estados Unidos e alguns poucos países da Europa e Ásia.
Mas quando será possível então podermos sair do supermercado, com o carrinho abarrotado de compras, sem ter que tirar uma por uma no caixa, indo diretamente para nosso carro? Bom, infelizmente ainda demorará um pouco. Apesar de o RFID ter avançado muito nos últimos anos, muita lição de casa ainda deve ser feita, tanto no sentido de baratear as smart labels (ainda bem mais caras que uma etiqueta de código de barras) quanto no sentido de aprimoramentos tecnológicos necessários (evitando absorção e reflexão dos campos eletromagnéticos). Aguardaremos ansiosos...
Paulo Tavares
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