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Geralmente utilizo esse espaço para escrever sobre tecnologias avançadas aplicáveis ao dia a dia das pessoas, pessoas comuns, como eu e você. Hoje quero variar, quero continuar escrevendo sobre pessoas comuns, mas não as que desenvolvem e utilizam ferramentas tecnológicas, e sim aquelas que doam conhecimento. Sim, elas existem, em maior número que pensamos. Nos parágrafos abaixo, vou apresentar três exemplos simples de como algumas pessoas diferenciadas podem fazer a diferença.
A primeira pessoa se chama Eduardo Julio, é gerente de suprimentos de uma empresa de tecnologia. Como gerente de suprimentos, tem sua rotina diária preenchida com avaliações de fornecedores, controle de compras, estruturação de almoxarifados e tarefas assim. O Eduardo, por livre iniciativa sua, detectou que alguns colegas da empresa, das áreas de produção, tinham algumas deficiências em informática, e que saná-las ajudaria tanto na execução das tarefas da empresa como também no crescimento profissional e pessoal dos colegas. Resolveu então solicitar à direção da empresa autorização para ele próprio ministrar treinamentos de informática (editor de texto, planilha eletrônica, ERP) aos colegas. O resultado não poderia ser diferente... Além da óbvia capacitação profissional atingida, o sorriso de satisfação estampado no rosto do próprio Eduardo... O segundo exemplo que quero dar aconteceu meses atrás na Escola Comunitária de Campinas. Essa escola tem o bom hábito de convidar os pais dos alunos para dar palestras às crianças de 5 anos sobre suas especialidades profissionais, como medicina, odontologia, música, química, etc. O resultado dessas palestras é sempre muito bom e as crianças adoram. Ao saber disso, um garoto de 8 anos chegou para sua mãe e falou “Mãe, eu sei um monte de coisas sobre dinossauros, eu podia dar uma aula sobre isso também para as crianças...”. O sucesso disso foi tão grande que o tal garoto, um menino tradicionalmente tímido e reservado, teve que repetir (com muito prazer...) sua palestra para muitas outras turmas, com mais de hora de duração, audiovisuais, “infográficos” improvisados na lousa, sessão de perguntas e respostas, um show. Pois bem, se um gerente de suprimentos e um menino de 8 anos podem dar a cara a bater e doar um pouco do conhecimento cotidiano que tem, imagino que engenheiros de indústrias, diretores financeiros, biólogos, atletas, todos nós também possamos. E isso me remete ao terceiro exemplo: Alguns professores e educadores desse portal estão se organizando para preparar e ministrar cursos gratuitos à distância aqui no EducaçãoNaNet, de diversos temas e níveis. Cursos para quem precisa aprender e se preparar profissionalmente mas, infelizmente, não pode pagar por cursos de alto nível. Esses professores não são pessoas comuns como eu ou o Eduardo, são especialistas, profissionais da educação, mas, mais que isso, são pessoas especiais, pessoas iluminadas, e o Brasil precisa muito de pessoas especiais e iluminadas. Em breve estaremos apresentando essas pessoas e esse projeto com mais detalhes. Bom, era esse o recado que eu queria passar. Existe muita coisa que todos nós podemos fazer pela educação e a decisão de começar está a um passo, basta termos a iniciativa de dá-lo.
Em tempo, o garoto de 8 anos (hoje com 9) que falo acima se chama Gabriel e é filho desse que vos escreve, e que deu uma lição de vida a esse velho de 38 anos.
Paulo Tavares
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